quarta-feira, 22 de junho de 2011

AVISO! NOSSA AULA DE HOJE CANCELADA

Queridos,

Antes de mais nada, gostaria de me escusar a todos, por minhas ausências das duas últimas aulas. Informo a todos que estou acamado, com forte gripe e impossibilitado de sair de casa por algum tempo. Já estou medicado e melhorando, mas as dores pelo corpo ainda me impedem de sair, o que imagino que deve durar até o fim desta semana. O que significa que não teremos a aula de hoje, infelizmente.

Tudo isto significa que, do ponto de vista dos conteúdos que eu houvera planejado para abordar até o fim do semestre (os modelos semânticos do dicionário e da enciclopédia, associados a duas concepções sobre como compreendemos significados) não poderão ser abordados, nas sessões que nos restariam: eu os havia planejado para as quatro últimas aulas do semestre e agora só nos sobrou uma aula, a da próxima segunda feira.

Assim sendo, farei o seguinte: corrigirei a 3a avaliação parcial de cada um de vcs. e até o fim desta semana disponibilizarei no blog as notas parciais de todos (melhor nota da avaliação e as noats referentes aos critérios de envolvimento). Na segunda-feira, quando nos encontrarmos, discutirei com todos vcs. as últimas etapas de nosso percurso, antes de disponibilizar as questões da avaliação global.

À tutti,

Benjamim

sexta-feira, 10 de junho de 2011

3a Avaliação Parcial-Questões

Queridos,


Como prometido, seguem as questões da 3a avaliação parcial, cujas respostas devem chegar a mim até o dia 20/06.


Ad,



UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE
INSTITUTO DE ARTES E COMUNICAÇÃO SOCIAL
DEPARTAMENTO DE ESTUDOS CULTURAIS E MÍDIA

Disciplina: Fundamentos Linguísticos da Comunicação (GEC 043)
Professor: Benjamim Picado
Horário: 2as e 4as, de 14 às 16:00
Local: Sala C-211 (2as) e C-214 (4as)

3a AVALIAÇÃO PARCIAL

Modo de Usar: Vc. deve responder ao menos duas questõesda avaliação (na escolha das questões, dê preferência a responder uma de teor mais teórico e a outra, de teor mais analítico). Para o correto tratamento das questões da prova, utilize sua própria capacidade de argumentação, procurando exercitar certo distanciamento com respeito ao modo de exposição das idéias dos textos centrais da unidade (por exemplo, dê preferência às paráfrases em oposição à transcrição literal dos textos, a não ser nos casos estritamente necessários). No que respeita a compreensão dos itens bibiográficos da unidade, valorize um tratamento mais esquemático e argumentativo das idéias mais importantes dos textos, procurando ficar mais atento àquilo que é especificamente solicitado em cada questão. Nas perguntas de teor mais analítico (de exame de objetos), procure correlacionar os dois domínios requisitados (o da expressa compreensão dos textos de base e o do exercício da análise dos materiais propostos).

4a Unidade:
Os Elementos da Semiose: da confusão entre veículos e objetos do signo

1. Tendo em vista as diferentes argumentações dos textos de Umberto Eco e de W.v.O. Quine sobre a relação entre significação e existência, como vc. considera que se possa justificar as relações entre os problemas da metafísica e os da semiótica?

2. Considerando as seis modalidades pelas quais Umberto Eco reconhece o emprego usual da noção de signo, em “Signo e Inferência”, como vc. os classificaria, tendo como parâmetro de distribuição as concepções lógicas  e linguísticas dos fenômenos de significação?

3. Considere a seguinte peça publicitária do produto Ekos, da Natura:

Anúncio de Ekos, da Natura

Considerando a composição entre os segmentos visuais (objetos, formas, côres) e linguísticos (sentenças, nomes próprios) que compõem este anúncio, procure analisar a peça em questão, levando em conta aqueles seus componentes que mais nitidamente se relacionam com os conceitos de signo em Peirce e Saussure, assim como com os princípios que guiam a compreensão do anúncio, seja como decorrentes das convenções e códigos culturais e linguísticos ou ainda derivados dos hábitos inferenciais e dos pressupostos sobre matérias de fato.

Referências Bibliográficas:
BARTHES, Roland. "Significado/significante". In: Elementos de Semiologia;
ECO, Umberto. “Sobre o ser”. In: Kant e o Ornitorrinco;
ECO, Umberto. "Signo e inferência" e “Dicionário vs. enciclopédia”. In: Semiótica e Filosofia da Linguagem;
PEIRCE, Charles S. "Algumas consequências de quatro incapacidades". In: Semiótica;
QUINE, W.v.O. “Sobre o que há”. In et al.: Existência e Linguagem;
SAUSSURE, Ferdinand de. "Princípios gerais". In: Curso de Linguística Geral;
VOLLI, Ugo. “Interpretação”. In: Manual de Semiótica.

raram facit misturam cum sapientia forma



quinta-feira, 9 de junho de 2011

Notas de Aula: significado e figuras do conteúdo, em Barthes, Eco e Hjelmslev

Queridos,


Como prometido, a seguir, as notas da última aula.


Ad,


Benjamim



Fundamentos Linguísticos da Comunicação – GEC 043
Aula no 4 (08/06/2011)
Os Elementos da Semiose: da confusão entre veículos e objetos dos signos

4.5. Significado semiológico e as figuras do conteúdo na Semântica Estrutural

1. A partir das definições de Saussure sobre o signo lingüístico (como união indissociável entre significante e significado), estamos na mesma situação que descrevêramos anteriormente, no que concerne o estatuto dos “remetidos”, numa perspectiva de estudos sobre o funcionamento dos signos, inaugurada nas vertentes lógicas das teorias da significação: se com Peirce e Frege, já vimos que o signo contrai em sua unidade mesma aquilo que define seu sentido ou sua interpretabilidade, na perspectiva dos estudos da linguagem tampouco poderíamos separar as manifestações de um sentido comunicacional, em relação aos veículos através dos quais essa comunicação se materializa.

2. De modo mais pedestre, basta que nos restituamos à definição mesma do signo lingüístico, em Saussure, para nos certificarmos dessa inerência do sentido (ou do significado) em ralação ao próprio signo, ao invés de supormos que a instância da remissão sígnica seja, de algum modo, separada do estatuto do próprio signo, tomado na sua condição de unidade de uma função de remetimento. Do mesmo modo que nas vertentes lógicas, apaga-se também a impressão de que o signo traz em causa coisas que são nomeadas por ele, para insistir na idéia de que o correlato de um signo não é uma entidade de existência autônoma, mas uma idéia ou conceito associado ao som através do qual o signo é expresso.
 
3. Mesmo nas observações posteriores de Barthes sobre a união necessária entre o plano da expressão e o plano do conteúdo, na definição do signo semiológico, a ordem dos significados não pode ser exterior à definição mesma dos signos, mas está necesariamente comprometida com o regime de remetimento que lhe é inerente. Na prática, devemos apenas ser capazes de separar no signo (analiticamente falando) uma porção própria de veiculação (característica de sua porção que é designada como “significante”) e uma outra, de destinação (definidora do “significado”).

4. De resto, tanto para as vertentes linguísticas quanto para as abordagens lógicas de uma teoria dos signos, o estudo semântico se incorporaria aos limites de uma semiologia geral (ou de uma teoria geral dos processos de significação). Resta-nos, entretanto (do mesmo modo que nos caso das vertentes lógicas da teoria da significação), nos perguntar sobre qual é mesmo a ordem dos fenômenos ou das coisas de que estamos falando quando definimos o significado, nesta mesma perspectiva semiológica.    

5. Em Barthes, portanto, a interrogação sobre o estatuto teórico dos significados nos põe de encontro a uma ordem de problemas que são internos ao projeto de uma semântica estrutural (portanto, de um ramo das explorações da Linguística, enquanto tal): isto é, para a semiologia, o problema do significado tem correlação com um aspecto estrutural de nossa compreensão das funções semânticas de práticas extra-linguísticas, a que Barthes designa como “isologia”, isto é, o modo como as línguas naturais (tomadas, neste aspecto, mais como sistemas de regras do que como instituições sociais) fazem conectarem-se indissociavelmente uma porção significante qualquer (uma peça de vestuário, um gesto, uma imagem) e seu correlato linguístico, que assume a forma de uma proposição. A “dizibilidade” essencial de todo e qualquer material significante (e que venha a constituir um universo de manifestações semiológicas) introduz o problema do significado, em Barthes como algo que tem demarcação ou origem na ordem do dizer, nas formas do discurso.

        “No essencal, a situação não poderia ser diferente em Semiologia, em que objetos, gestos, etc., tanto quanto sejam significantes, remetem a algo que só é dizível por meio deles, salvo esta circunstância Segundo a qual os signos da lingual podem encarregar-se do significado semiológico; diremos, por exemplo, que tal suéter significa os longos passeios de outono nos bosques; neste caso, o significado não é apenas mediado por seu significante indumentário (o suéter), mas também por um fragmento de palavra (o que é uma grande vantagem para manejá-lo); poderíamos dar o nome de ‘isologia’ ao fenômeno pelo qual a lingual ‘cola’ de modo indicernível , seus significantes e significados.” Barthes, Roland. “Significado/Significante”: pp. 46,47.

6. Não é assim casual que, ao introduzir o problema do significado em Semiologia (e ao endereçar seus fundamentos ao modo como Saussure compromete no conceito de signo linguístico, ao mesmo tempo, sua ordem de veiculação e seu remetimento), Barthes proceda do mesmo modo que Umberto Eco, ao procurar diferenciar o estatuto da destinação, que é intrínseca a todo signo, das definições de entidades psicológicas ou metafísicas, como sendo seus significados, isto é: de um ponto de vista linguístico ou semiológico, o significado não deve ser assimilado nem aos conteúdos mentais, tampouco à ordem de uma realidade exterior à consciência, mas como especificação ou segmentação linguística do remetimento sígnico.

7. Tudo isto, evidentemente, aporta toda uma série de riscos para uma teoria dos signos, no sentido de uma certa definição circular dos significados, o que é reconhecido pelo próprio Barthes (“o signo é este ‘algo’ que quem emprega  signo entende por ele”): o significado não é algo de simplesmente real (isto é, puramente anterior à nossos modos de compreensão), mas algo de real que só se torna mais específico quando assume seu valor próprio, correlativamente ao modo de manifestação dos signos. Já vimos na introdução aos aspectos metafísicos de uma concepção semiótica dos significados que tudo isto apenas significa que o conceito de significado não pode ser separarado do de significação, isto é da ação na qual o remetimento e a veiculação sígnicas se encontram inevitavelmente unidos.

8. De resto, segundo o próprio Barthes, o problema do significado escapa às tarefas exclusivas de uma semiologia geral, concebida enquanto ciência: o problema do ordenamento das figuras do conteúdo (ou do significado) é sobretudo tarefa de um ramo da linguística, definido como sendo uma “semântica estrutural”; e este ordenamento se constituiu sobretudo como uma operação de separação destas figuras como constitutivas da forma e não da substância dos significados. Estamos introduzindo nesta exposição termos fundamentais de uma abordagem semiológica dos processos de significação, mas que têm origem em uma abordagem específica dos significados. Vamos nos deter um pouco sobre este ponto, a partir de agora.

9. Na sua definição mesma do signo semiológico, Barthes incorpora do modelo lingüístico de Hjelmslev a noção de que a definição de signo deve contemplar seu aspecto de relação: nestes termos, o que constitui o signo como objeto de estudos é o fato de que os elementos que ele contrai são os funtivos de uma relação; no caso, estes termos são a expressão através da qual o signo é necessariamente manifesto, de um lado, e seu conteúdo, de outro, pelo qual ele é mensurado em seu aspecto de destinação. De maneira que é importante para nós destacar, esta perspectiva de análise trata os significados como entidades internas ao próprio signo, num tipo de concepção sobre o funcionamento de nossos modos de compreensão que congrega na unidade sígnica seus modos de manifestação e seus poderes de referência.

10. A relação entre significado e formas do conteúdo: Umberto Eco reconhece que, dentre os artifícios teóricos dos quais nos valemos comumente para definir os significados, o mais freqüente é aquele que assimila a idéia de remetimento à de sinonímia: quer consideremos as funções de definição, nomeação ou comparação entre nossas expressões e aquilo que as mesmas significam, em geral tratamos o domínio dos remetidos como sendo um correlato do que pode ser assumido como símile da expressão ela mesma. O problema de uma tal concepção do significado é o de sua evidente circularidade ou bicondicionalidade. Nestes termos, é melhor que se trabalhe com a idéia de que o universo da referência possui uma base categorial, isto é, o que chamamos de significado tem menos correlação com os fundamentos convencionais da sinonímia e muito mais com a estrutura categorial dos processos de referência.

      “Deve-se, pois presumir, que os processos de categorização não dependem dos processos semióticos. Ao contrário, é lícito supor que processos semióticos e processos de categorização (e no limite, portanto, processos perceptivos) sejam muito solidários. A isso conduziria em cada caso uma teoria que defina o significado não em termos sinonímicos ou em termos de referimento, mas de maneira mais formal: que descreva o significado como o resultado de uma operação categorical do mundo”. Cf. Eco, U. “Dicionário vs. enciclopédia”: p.80.

11. Mas nos resta refletir sobre que espécies de coisas são os conteúdos, tomados nesta condição de termos da relação sígnica: ainda na linhagem das concepções de Hjelmslev, Eco e Barthes consideram os dois planos da relação sígnica devem-se subdividir, em substância e forma; assim sendo, no caso dos conteúdos, devemos separar os aspectos emotivos, sensoriais, ideológicos ou nocionais do significado (não especificáveis em termos exclusivamente linguísticos) para dar atenção e preferência àqueles que definem a organização formal dos remetidos, por ausência ou presença de marcas semânticas (sendo estes especificáveis em termos daquilo que a estrutura da língua estabelece). Para Eco, istos constitui as bases de um sistema dos conteúdos, na semântica estrutural.

“Podemos, pois, estabelecer que o dicionário hjelmsleviano está em condições de explicar alguns fenômenos semânticos que, Segundo a literature corrente, fazem exatamente parte do cicionário: I) sinonímia e paráfrase (…); II) similaridade e diferença (…); III) antonímia (…); IV) hiponímia e hiperonímia (…); V) sensatez e anomalia (…); VI) redundância (…); VII) ambigüidade (…); VIII) verdade analística; IX) contraditoriedade (…); X) concisão (…); XI) inconsistência (…); XII) inclusão e implicação semântica. Cf. Eco, U. “Dicionário vs. enciclopedia”: pp. 84,85.

12. Nestes termos, o objeto que caracteriza os significados, numa perspectiva mais próxima dos fatos lingüísticos, tem a ver com o problema da organização formal dos conteúdos da referência ou, em linguajar estrutural, tem a ver com as formas do conteúdo. O que isto significa? Na mesma perspectiva em que Barthes destaca a dependência do conceito de significado com respeito aos processos de significação, aqui, a noção de conteúdo destaca no âmbito da necessária remissão sígnica, seus aspectos estruturais, em detrimento de suas substâncias. Dizendo de outro modo, é necessário isolar, na análise dos significados, tudo aquilo que é circunstancial para sua referência, privilegiando os aspectos que, de um ponto de vista lingüístico, são permanentes. Restando ainda o desafio de descrever quais seriam mesmo esses elementos estruturais ou da forma do significado. Este assunto tomará nossa atenção quando nos voltarmos para a análise dos modelos semânticos associados às concepções linguísticas do significado, nosso assunto seguinte.

Leitura Obrigatória:
BARTHES, Roland. “Significado/significante”. In: Elementos de Semiologia;
ECO, Umberto. “Dicionário vs. Enciclopédia”: in: Semiótica e Filosofia da Linguagem;
HJELMSLEV, Louis. “Expressão e conteúdo”. In: Prolegômenos a um a Teoira da Linguagem;

Próximas Leituras:
ECO, Umberto. “Dicionário vs. enciclopedia”. In: Semiótica e Filosofia da Linguagem;
VOLLI, Ugo. “Estruturas”. In: Manual de Semiótica.

Notas de Aula: sentido e referência ou a dimensão lógica do significado, em Frege e Eco

Queridos,


Seguem abaixo as notas referentes à aula de 2a feira, sobre as abordagens lógicas do significado. Mais tarde, seguem as notas da aula de 4a feira.


Bom fim de semana a todos.


ad,


Benjamim



Fundamentos Linguísticos da Comunicação – GEC 043
Aula no 4 – 06/06/2011
Os Elementos da Semiose: da confusão entre os veículos e os objetos dos signos

4.4. Abordagens lógicas do significado: sentido e referência, em Frege e Eco

1. Se fixarmos nossa atenção ao modo como Umberto Eco introduz, em seu texto, a dimensão na qual os significados podem interessar às teorias semióticas, veremos que o tratamento deste conceito deve ser depurado das tinturas metafísicas que o caráter remissivo dos signos parece implicar: já vimos, na sessão anterior, que o conceito que a semiótica toma por centro de suas interrogações ano pode ser assumido na condição de uma entidade, mas de uma função; decorrência deste seu aspecto relacional, a idéia mesma de que os signos se definam como “função de remetimento”, coloca em vista o problema de como definir aquilo para o quê os signos estão, necessariamente.

2. O esforço de Eco por depurar conceitualmente aquilo a que podemos chamar de significados ecoa (perdoe-nos a infâmia) certas preocupações que já vislumbramos, em capítulos anteriores deste percurso, quando nos perguntávamos sobre os fundamentos ontológicos da pergunta sobre como compreendemos realidades: basta que nos recordemos do destaque que Quine faz, em “Sobre o ser”, para a distinção muito importante entre ter sentido e nomear, quando se interroga sobre que tipo de ontologia deve servir de base para a verificação de asserções sobre a existência de alguma coisa (em especial quando consideramos expressões que contêm variáveis pertencentes a discursos como os da ficção e da matemática). Uma ontologia que admite números e entidades ficcionais não pode ser estruturada na admissão de que os termos que designam tais coisas funcionem como substantivos ou nomes próprios.

·       Quine, “Sobre o ser”: p. 28.

3. Em Umberto Eco, estas questões se deixam ressoar como uma pergunta sobre qual é mesmo o caráter deste “remetido” que inere a toda significação, pelo qual afirmamos que uma expressão qualquer lhe faz referência: é ele da ordem de um existente, ou pede de nós outro critério para sua definição? Pois quando nos exprimimos sobre a relação entre a rainha e a feminilidade (mais simplesmente, quando dizemos “A rainha é uma mulher”), o que assumimos como real acerca desta expressão tem certa relação com aquilo que chamaríamos de sua verdade ou falsidade: em que sentido, os critérios de verdade, neste caso, seriam derivados da atualidade desta expressão?

“Decidimos definir provisoriamente como significado o que poderia localizar um remetido (um indivíduo, uma relação, um conceito, uma propriedade, um estado de coisas) em ao menos um mundo possível, independentemente de cada atribuição de existência atual (...). Por isso, pode-se provisoriamente decidir definir o significado de uma expressão também como tudo o que é passível de interpretação.” Eco, “Dicionário vs. Enciclopédia”: pp. 65,66.

4. Na medida em que a questão do significado implica em uma distinção especial entre os objetos do remetimento de um juízo e a ordem da referência, se introduz na discussão o horizonte no qual os significados implicam uma certa metafísica da referência: pois é neste ponto que se conectam as questões que abordamos na seção anterior e o estatuto semiótico do significado (ao menos no que respeita as versões que caracterizam as abordagens que o pensam a partir de marcos lógicos). Eco faz claras menções a esta distinção (originária dos escritos de Frege) e tenta recobrar o fundo lógico e epistêmico da questão do significado, a partir da diferenciação entre o remetido e a referência (isto é, entre o caráter ontologicamente determinado do objeto dos signos – seu aspecto de coisa ou de entidade remetida - e o caráter funcionalmente determinado deste remetimento – isto é, o fato de que o significado é, como nos lembra Barthes, “relativo à significação e não à coisa significada”).

5. Assim sendo, podemos contemplar que a reflexão sobre os significados, assumida sua decorrência com respeito ao fato de que os signos são definidos fundamentalmente como relações, transfere para a análise de seus conteúdos, as mesmas constrições submetidas ao conceito mesmo de signo: se considerarmos o discurso lógicos sobre significados, de uma maneira geral, falar dos conteúdos não é, assim, falar das coisas às quais remetemos nossas expressões, mas sim da posição assumida pelo significado no contexto das funções sob as quais se especifica esta remissão dos signos a uma realidade atual ou possível; enfim, os significados são termos das funções sob as quais o pensamento põe em relação duas instancias de seu momentâneo interesse.

6. Ao considerar que nem sempre no uso corriqueiro da linguagem estamos preocupados com o objeto de nossas expressões, mas apenas com o modo gramatical de apresentá-las, Frege assume uma distinção sugestiva entre os nomes como formas de apresentação nas quais um objeto é designado (seu sentido, em termos fregeanos), e sua referência propriamente dita: numa certa parte de seu texto, ele estabelece que o sentido é aquilo que exprimimos (através de um nome próprio, por exemplo), ao passo que a referência é aquilo que esta expressão representa.

“É, pois, plausível, pensar que exista, unido a um sinal, (nome, combinação de palavras, letras), além daquilo por ele designado, que pode ser chamado de sua referência, ainda o que eu gostaria de chamar de o sentido do sinal, onde está contido o modo de apresentação do objeto. Consequentemente, segundo nosso exemplo, a referência das expressões ‘o ponto de interseção de a e b’ e ‘o ponto de interseção de b e c’ seria a mesma, mas não o seu sentido. A referencia de ‘Estrela da Tarde’ e ‘Estrela da Manhã’ seria a mesma, mas não o sentido”. Cf. Frege, “Sobre sentido e referência”: p. 66,67.

7. Reportando-se às idéias lógicas de Frege, Eco faz uma observação à distinção fregeana entre “sentido” e referência”, e que merece consideração, quando examinamos o conceito semiótico de significado. Como está particularmente interessado em depurar da noção de bedeutung qualquer implicação que a vincule a uma idéia estritamente substantiva dos objetos da significação, Eco impõe às idéias de Frege uma certa cláusula restritiva: em primeiro lugar, ela envolve um esclarecimento sobre o conceito mesmo de “objeto”, na semântica lógica fregeana, pois este não envolve qualquer admissão sobre entidades físicas ou classes das mesmas, mas sobretudo o preenchimento ou não de funções ligadas à produção de juízos (o objeto é, assim, um dos termos da relação pela qual o signo funciona).

8. Nestes termos, se a bedeutung de um nome próprio é seu objeto, não podemos supor que este seja uma entidade que é nomeada pelo signo (ou pelo substantivo), mas sim o horizonte de sua referência possível, em relação ao qual ele exprime um sentido determiando. Nestes termos, se fixa em Frege a noção de que uma mesma referência (um mesmo sujeito de juízo ou predicado) pode ser expresso por variados sentidos: é em tais termos que, para Umberto Eco, a idéia fregeana de referência seja restituída a uma matriz ontológica que é a da mera “possibilidade”; assim sendo, não é o caso de supormos que aquilo a que um nome próprio se refere deva ser um ente para construir uma referência, pois o objeto da significação se constrói num horizonte de possibilidades que o sentido de cada juízo pretende instaurar.

“Basta então, para falar da Bedeutung, que se possa descrever um objeto qualqer (indivíduo real, entidade fictícia, conceito matemático) por meio de uma série concomitante de sentidos. Desse modo, então, a Bedeutung de Frege teria mais relação com o que até esse momento é chamado significado do que com aquilo que é chamado referencia. A Bedeutung é o objeto construível de uma referencia possível”.  Cf. Eco, “Dicionário vs. Enciclopédia”: p. 70.

9. Esta questão tem um valor especial, quando consideramos, por exemplo, que o significado ou a referência de um signo não é da ordem de uma remissão à concretude existenicial de seus remetidos, mas à mera possibilidade de sua postulação: assim sendo, ao falarmos do significado de uma expressão como “o décimo segundo planeta de nosso sistema solar” (ou “o corpo celeste mais distante da Terra”), não podemos supor que nossa compreensão da expressão dependa da capacidade de se determinar um valor estritamente individual de sua referência.

10. No caso de expressões desta natureza (poderíamos incluir aí proposições sobre “Pégaso” ou “D’Artagnan”), não há nada, na ordem das extensões do conceito de “planeta de nosso sistema solar”, que possa fixar um valor definido para sua asserção (pois sabemos que não há, dentre as coisas que cairiam sob este conceito, uma décima segunda entidade). Mas, se assumimos que podemos compreender o que esta expressão significa (o que é precisamente seu sentido), não podemos admitir que o problema de sua existência estaria posto na ordem de uma “possibilidade” (que nos restituiria aos marcos hipotéticos da ciência astronômica, de um lado, e das regras para a imaginação fabuladora, na ficção científica)?

Referências Bibliográficas:
Eco, Umberto. “Dicionário vs. enciclopédia”. In: Semiótica e Filosofia da Linguagem;
Frege, Gottlöb. “Sobre sentido e referência”. In: Lógica e Filosofia da Linguagem;
Quine, W.v.O. “Sobre o que há”. In: Existência e Linguagem: ensaios de metafísica analítica.

Próximas Leituras:
Eco, Umberto. “Dicionário vs. enciclopédia”. In: Semiótica e Filosofia da Linguagem;
Hjelmslev, Louis. “Expressão e conteúdo”. In: Prolegômenos a uma Teoria da Linguagem.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Notas de aula: significado e existência, em Eco e Quine

Queridos,


Seguem abaixo as notas referentes à última aula, sobre os fundamentos metafísicos do significado, a partir de leituras de Eco e Quine.


Ad,


Benjamim



Fundamentos Linguísticos da Comunicação – GEC 043
Aula no 4 (01/06/2011)
Os Elementos da Semiose: da confusão entre veículos e objetos dos signos

4.3. Metafísica da Referência: a relação entre os significados e aquilo“que há”

1. Nos textos que sugerimos para introduzir certos problemas de uma teoria semiótica geral, o que parece próprio a esta disciplina não se exprime tanto por aquilo que caracteriza seu objeto (grosso modo, o estudo dos signos e de seus modos próprios de funcionar), mas por toda uma ordem de pressupostos que caracterizam o que chamaremos doravante de fundo especulativo dessas teorias, um conjunto de assunções mais ou menos tácitas sobre a estrutura na qual o problema dos regimes da compreensão funciona ou, em outra formulação, a concepção de mundo na qual a questão da compreensão dos signos tem alguma pertinência.

2. Uma dessas assunções, e que constitui uma espécie de discurso velado de todas as escolas semióticas, concerne a uma interrogação sobre a natureza de determinação daquilo que existe ou, ainda mais radicalmente, sobre o que significa atribuir existência ao que quer que seja: na raiz de todo e qualquer saber sobre signos e interpretação, há uma suposição sobre a relação entre significar e ser; grosso modo, é essa ordem de problemas que permeia os textos aqui sugeridos para leitura, e que pode ser resumida como uma pergunta sobre o que há, pois é ela que fornece uma espécie de suposto metafísico de toda teoria da significação. Exatamente que problema é esse e como é que ele nutre as teorias semióticas que constituirá nosso assunto no dia de hoje.

3. Numa série de textos muito importantes de uma certa filosofia da significação (que é representada por um dos textos da bibliografia), este problema do ser não se coloca em termos de uma admissão de que as coisas sobre as quais falamos são a razão de ser da linguagem ou do pensamento: veremos mais adiante que há uma diferença considerável entre “fazer sentido” e “referir-se a algo”, quando examinamos os fenômenos de significação. Ainda assim, entretanto, há algo acerca da existência que precede o dizer que nos captura, na idéia de um núcleo próprio do “ser”, e que torna virtualmente impossível à reflexão refugiar a existência exclusivamente na ordem dos esquemas inferenciais ou da institucionalidade partilhada da língua.

4. Em seu clássico texto de 1948, “On what there is”, Quine se entrega a este problema central da ontologia (a pergunta sobre “o que há”) e constata as dificuldades de se escapar à força com a qual sua mera formulação nos arrasta a pressupostos que poderíamos desejar deixar de lado, na discussão sobre as relações entre nossos modos de conhecer e a natureza dos objetos que se apresentam a esta faculdade: assim sendo, há uma implicação inevitável entre o conhecer (ou seus correlatos signfiicativos, como o “dizer”) e o “haver”, o que instaura um dilemma característico da filosofia platônica da verdade, pela qual o ser se torna inevitável para o discurso. Em termos, negar a existência daquilo sobre o que falamos é contradito pela própria natureza propositiva da linguagem, pois sempre falamos de algo que há.

5. Assim sendo, quando nos perguntamos sobre o significado de atribuir existência a entidades ficcionais como “Pégaso” ou a entidades matemáticas como “a raiz cúbica de 27”, como supor que o atributo do ser valha nesses casos do mesmo modo que o da existência de objetos postos no espaço-tempo físicos? Estamos falando rigorosamente de coisas não-existentes e ademais muito diferentes entre si (seu aspecto de existência depende de condições muito diferentes, em cada um deles). Examinemos cada um destes casos, com algum detalhe.

6. Ao dizermos que o resultado de uma operação se exprime na estrutura do “ser” (pois dizemos que “a raiz cúbica de 27 é 3”), não estamos predicando a partir de uma substância concreta que corresponda à expressão predicativa, mas produzindo o resultado de uma função (estamos consumando uma operação): o percurso no qual se realiza essa atribuição do ser, expressa pelo verbo que significa o resultado da função, não é o mesmo no qual dizemos que “Pégaso é um cavalo alado”; neste último caso, podemos supor que a existência de uma entidade foi proposta como correlato daquilo que se predica do sujeito (o estatuto dessa existência de “Pégaso” poderemos discutir, um pouco mais adiante).

7. Negar rigorosamente algum grau de existência a essas coisas parece implicar em certa contradição, pois, de todo modo, aplicamos a essas coisas que não existem os mesmos dispositivos lingüísticos e lógicos através dos quais falamos de coisas que existem: é assim que dizemos que “Pégaso” é um “animal” (fazemo-lo que se inclua a uma classe de coisas cuja extensão compreende entidades reais e com as quais ele poderá ser comparado, mesmo que não exista uma tal entidade incluída na classe pela qual se predica sobre ela); do mesmo modo é que o número “3” é a “raiz cúbica de 27” (atribuímos ao valor numérico uma determinada propriedade das operações matemáticas). Investimos essas coisas de um ser, predicando sobre elas, (e ainda assim, admitimos que, dizendo que elas podem ter tais atributos, elas mesmas, a rigor, não existem). Aonde está efetivamente o problema?

8. Quando nos deslocamos para o primeiro capítulo de Kant e o Ornitorrinco, de Umberto Eco – sob o título apropriado de “Sobre o ser” – nos encontramos no mesmo emaranhado problemático da pergunta sobre este núcleo da realidade: recapitulando as etapas da construção do problema da metafísica, desde Aristóteles (“o que é o ser, propriamente?”), notamos que este objeto é, de um lado, condição existencial, horizonte de experiências, perspectiva do discurso e do conhecimento; pois este haver condiciona até mesma a pergunta que podemos fazer sobre sua realidade (é nestes termos que Quine nos lembra da famosa “barba de Platão”). Mas Eco reconhece, de outro lado, que se o ser é antecedente ao discurso, se manifesta – ao menos naquilo em que ele nos concerne – no dizer; se ele é condição de nossa entrada no mundo, para nós não se manifesta em outro registro que não o de nossa interpretação. Tudo isto confere uma dignidade semiótica aos problemas da ontologia.

“No momento em que paramos à sua frente, o ser suscita interpretação; no momento em que podemos falar sobre ele, este já é interpretado. Não há mais nada a fazer (…). Com maior razão, o ser não existe nem deixa de existir sem palavras para Aristóteles: está ali, estamos dentro dele, mas não pensamos estar. A ontologia de Aristóteles, dissemos amplamente, tem raízes verbais. Na Metafísica, cada menção ao ser, cada pergunta e resposta sobre o ser está no contexto de um verbum dicendi (seja ele leghéin, semainein ou outro).”. Cf. Eco, “Sobre o ser”: p. 27.

9. No texto de Quine, ele se pergunta sobre a eficácia da resposta que damos à questão sobre “o que há”: quando dizemos que o que há é simplesmente “tudo”, apenas desviamos o foco da questão para a confirmação de que aquilo de que falamos deveria “haver”, de algum modo, mas com pouco esclarecimento sobre o significado desse compromisso entre afirmar uma existência e concretizá-la, de alguma maneira, no discurso. A importância das questões de ontologia para as teorias semióticas decorre precisamente do fato de que, em muitos casos, o que se exprime numa teoria da significação é a dependência entre o chamamos de “mundo”, “realidade”, “existência”, “ser”, de um lado, e a ordem do discurso, de outro. Tudo isso parece, uma vez mais, comprometer a teoria da significação com uma idéia de transcendência dessa mediação simbólica em relação a fisicalidade do mundo.

10. Em suma, todo discurso sobre a significação envolve uma espécie de “fundo ontológico”, o que quer dizer que não podemos falar sobre as relações entre signos, pensamento e linguagem, sem implicarmos aí uma certa concepção sobre a realidade: ou a realidade é aquilo que o próprio signo define como sendo uma instância de sua compreensão, o que será assunto de uma teoria semântica; ou então, o compromisso ontológico não se estabelece na relação puramente dual da significação (na reportagem entre linguagem e mundo, como instâncias ontologicamente independentes), mas no fato de que o próprio signo é constituído, em sua estrutura mesma, com capaz de instaurar, por suas próprias forces, uma realidade, desde que devidamente assimilado aos vários possíveis sistemas de referências ao qual poderá pertencer.

“Ser suposto como uma entidade é, pura e simplesmente, ser contado como o valor de uma variável. Em termos das categorias da gramática tradicional, isto equivale aproximadamente a dizer que ser é estar no domínio de referência de um pronome.”. Cf. Quine, “Sobre o que há”: p. 32.

11. Se usarmos a expressão “algo significa alguma coisa”, numa acepção um pouco mais larga do que aquela pela qual dizemos “algo representa alguma coisa”, poderemos talvez entender como é possível que uma operação matemática possa dizer que as relações entre entidades numéricas é da ordem do “ser”: o resultado de uma equação simples é aquilo que esta operação significa, do ponto de vista de sua finalidade. mais importante que isso, entretanto, a idéia de que expressões lógicas possuam significar implica na admissão de que há um sistema simbólico de base sob o qual funciona o discurso matemático, e quem quer que o compreenda, sabe que, ao atribuir um sentido de existência ao resultado de uma operação, está-se fazendo algo de específico na relação entre seus elementos.

12. Para dizer de outro modo, quando estamos cientes acerca da natureza dos objetos que nos circundam, já inscrevemos sua hipotética anterioridade aos aspectos através dos quais nosso pensamento torna essas coisas menos indiferentes a nós. Voltando ao exemplo da presença desta cadeira diante de mim, sua realidade me concerne sempre sob algum dos aspectos pelos quais sua manifestação se destaca em minha atenção, e de tal modo é ssim que dizer que ela é parte de uma experiência implica em que consideremos esta exterioridade e fisicalidade como que deflacionadas em seu poder de determinar o que isto efetivamente é.

Referências Bibliográficas:
Eco, Umberto. “Sobre o ser”. In: Kant e o Ornitorrinco;
Quine, W.V.O. “Sobre o que há”. In et al.: Existência e Linguagem.

Próximas Leituras:
Eco, Umberto. “Dicionário vs. enciclopedia”. In: Semiótica e Filosofia da Linguagem;
Frege, Gottlob. “Sobre sentido e referência”. In: Lógica e Filosofia da Linguagem.


Comentários sobre a 2a avaliação parcial

Queridos,


Como prometido, passo em seguida a fazer algumas ponderações sobre o que me pareceu problemático nas abordagens das respostas às questões da 2a avaliação parcial, a partir de uma observação sobre aquilo que me pareceu mais freqüente como limitação da compreensão dos temas da unidade nas respostas de cada um. Desta vez, farei comentários, levando em conta estas percepções gerais, tratando-as a partir de cada uma das questões.


No caso da primeira questão, faltou a quase todas as respostas uma articulação mais precisa entre a noção das modalidades da compreensão (inferência e compreensão textual) e os tipos de concepção sobre o signo a que cada uma delas dá nascença: os textos de Guinzburg e Volli não tratam dso signos diretamente, mas é evidente que as modalidades da compreensão que ambos abordam estão conectadas, de algum modo ao menos, com os conceitos de signo que caracterizam as vertentes lógicas e linguísticas. 


Na maior parte das respostas, faltou esta correlação, sendo que nelas identifiquei uma preferência por se manter apriosionada a argumentação nas linhas expressas dos dois textos (Volli e Guinzburg). A questão pedia algo mais, basta ler o enunciado dela novamente.


Na segunda questão, também foram relativamente poucos os que exploraram a proximidade entre a passagem do texto de Peirce e os princípios do signo linguístico, em Saussre: de maneira geral, as respostas versavam longamente sobre as idéias de Peirce sobre o signo, esquecendo-se de avaliar o que Peirce estava afirmando na passagem que consta da questão da prova (o que era algo mais específico e relativamente conectado com certas idéias saussureanas sobre o modo de funcionamento dos signos linguísticos).


Na terceira questão, novamente houve uma oscilação (típica das respostas às questões de viés mais analítico) entre um exercício puramente impressionista de análise, sem qualquer recurso àquilo que se falou nas aulas ou nos textos da unidade, ou então soterrou-se o anúncio sob uma barragem de referências às idéias da unidade, mas sem qualquer articulação mais precisa com o produto propriamente dito. Como dixem os antigos, neste tipo de questão a virtude está "no meio do caminho", entre a paixão completa pelos textos ou o exercício livre e extremado das próprias impressões.


É isto, então. Espero que estas observações ajudem no desenvolvimento das respostas, mais adiante.


Ad,


Benjamim